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Restauração do Cine Brasil termina em dezembro |
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Restauração do Cine Brasil termina em dezembro
Desafio dos administradores do novo centro cultural é organizar programação à altura

V&M Brasil Centro de Cultura – este vai ser o nome oficial que a Fundação Sidertube, mantida pela V&M (Valourec & Mannesmann), vai dar a seu espaço cultural na Praça Sete, Centro de Belo Horizonte. Já tem gente apostando que não vai pegar: as pessoas comuns vão continuar chamando o lugar de Cine Brasil. As obras, que incluem não apenas a adequação do imóvel a novas funções, mas também a restauração e a reconstituição de elementos arquitetônicos que estavam deteriorados, haviam sido destruídos ou estavam ocultos, andam a todo o vapor. O sonho da V&M é abrir o espaço ao público até dezembro, a tempo das comemorações do aniversário de Belo Horizonte. Mas a obra é tão significativa que até os mais críticos vão perdoar se demorar um pouco mais, ou se for entregue em etapas.
O coração do novo centro cultural será o grande teatro, que vai ocupar a maior parte do espaço onde ficavam a platéia e o palco do antigo Cine-Theatro Brasil. A capacidade será menor: a parte do fundo da platéia tinha visão precária, não apenas pela distância, mas pela presença de pilastras de sustentação do prédio, o que prejudicava a acústica. Está sendo transformada em novo foyer, que, ligado aos antigos, deixa o lugar completamente cercado por espaços de circulação, socialização e, eventualmente, exposições de arte. Sob a platéia desse teatro estará um outro, menor, mas com equipamento da mesma qualidade. As duas salas principais terão sistemas para projeção de filmes. A área restante do gigantesco prédio será ocupada por camarins, galerias, espaços administrativos, estúdios, salas de ensaio e café.
AFRESCOS As obras estão reencontrando algumas preciosidades, como os afrescos que decoravam a platéia do Cine Brasil, que já estão sendo restaurados. Achou-se a pedra fundamental do edifício, quase intacta. Na caixa de metal dentro dela, jornais e moedas confirmaram 1927 como ano de início da construção (o Cine Brasil foi inaugurado em 1932). Os vitrais da fachada voltarão a seu lugar. O público receberá de volta, também, com todos os elementos decorativos restaurados, a galeria que liga a Rua dos Carijós à Avenida Amazonas, fechada há décadas.
Certos detalhes podem parecer purismos, como a reconstrução das frisas do teatro – são camarotes laterais próximos do balcão, estruturas que caíram em desuso há muito tempo pela péssima visibilidade que oferecem. Outros detalhes foram sacrificados em nome da funcionalidade: os pequenos elevadores do edifício, por exemplo, que estão entre os mais antigos de BH, terão suas cabines preservadas, mas transformadas em cabines telefônicas – a restauração considerou importante preservar modos de assistir, mesmo que desconfortáveis, mas não viu o mesmo sentido histórico nos modos de acesso ao prédio.
SHOPPING Se tudo sair como previsto, o V&M Brasil Centro de Cultura pode se realizar como uma espécie de shopping center cultural, onde as pessoas encontrem, a qualquer momento, grande variedade de opções de cultura e lazer. Paradoxalmente num investimento de tal porte, é o pulo do gato para transformar essa vocação em realidade que se encontra nebuloso. Mesmo depois de pronto, um espaço como esse vai custar uma pequena fortuna em termos da manutenção cotidiana. Basta lembrar os primeiros anos do Palácio das Artes, ou alguns dos lugares mais suntuosos e estratégicos da Belo Horizonte contemporânea, para temer a “síndrome do elefante branco”: centros culturais enormes, caros e pouco utilizados. Outra opção igualmente sofrível é a de um grande edifício permanentemente alugado para eventos de terceiros, que pagam seu custo, mas não garantem ao lugar a reputação da qualidade.
Se os gestores do novo espaço tiverem visão, podem se inspirar em iniciativas bem-sucedidas, como o Palácio das Artes na atualidade, o Centro Cultural São Paulo, diversas unidades do Sesc em São Paulo ou o Centro Cultural Banco do Brasil. Todos eles têm programações que dosam eventos de terceiros, produção própria e projetos de fomento que estimulam agentes culturais externos a se associarem às idéias geradas nos próprios centros culturais. É o paraíso simultâneo da quantidade e da qualidade.
Há pelo menos um bom indício de que já há um olhar nesse sentido: o arquiteto Alípio Pires, responsável pelo projeto do novo Cine Brasil, sonha com um centro cultural capaz de atrair outros públicos que não as elites de BH – as classes C e D, exatamente aquelas que ainda consideram a Praça Sete um espaço de encontro e lazer, e que impedem que ela se torne um deserto nas noites e nos fins de semana.
Fonte: Divirta-se (Uai - EM) |
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