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Casais que se conheceram através do esporte mais popular do país mantém longos relacionamentos

  A invasão das mulheres em vários setores da sociedade antes tidos exclusivamente como masculinos deixou de ser novidade. Prova disso é o aumento do público feminino nos estádios de futebol. Elas são fanáticas pelo esporte e já se permitem fazer análises táticas tão bem elaboradas quanto os homens.

Arquivo pessoal

Os atleticanos Hamilton e Letícia se conheceram na Geral do Mineirão; Cássio e Luciane enfrentam a distância para manter o namoro e a paixão pelo futebol


Desse crescente interesse das mulheres pelo esporte, surgiram relacionamentos amorosos no mínimo inusitados. É o caso dos estudantes Hamilton Parreiras, de 19 anos, e Letícia Lage, de 16. Fanáticos pelo Galo, os dois se conheceram na Geral do Mineirão, enquanto o time do coração perdia por 5 a 0 para o rival Cruzeiro, em 2008, e hoje têm quase um ano de namoro.

“O jogo estava 4 a 0 e eu a vi encostada na grade, cabisbaixa. Já havíamos trocado olhares antes. Cheguei perto, perguntei o nome dela e falei ‘que dureza’, referindo-me ao jogo. Ali nos conhecemos e, dias depois, começamos a namorar. Hoje, são 10 meses de relacionamento”, conta Hamilton.

O estudante relembra que, antes de atarem namoro, os dois ainda se encontraram no Mineirão em outras ocasiões. “No jogo do Atlético contra o Palmeiras, eu fiquei de ‘rabo de olho’ para ela, que estava dois degraus acima de mim, na arquibancada. Quando o Galo fez gol, corri lá para cima e dei um abraço nela, bem apertado. Depois, fiquei do lado dela o resto do jogo”.

Letícia conta que, a princípio, não imaginava que a aproximação de Hamilton pudesse resultar em namoro. “Nunca pensei que iríamos ficar, muito menos namorar! Mas ele foi se aproximando devagar e não demorou muito para nos apaixonarmos! Agradeço a ele, por ter se aproximado, e ao Galo, por ter nos unido”.

“Antes de conhecê-la, o Galo era minha maior paixão. Agora tenho alguém que divide meu coração alvinegro”, comemora Hamilton. Já Letícia resume o namoro de uma maneira diferente, não menos apaixonada: “é gratificante saber que o que nos uniu é o que temos de melhor: a paixão alvinegra”.

À distância

A história do casal atleticano é um pouco diferente do caso dos estudantes Cássio e Luciane. Isso porque Cássio não torce para o mesmo clube de Luciane e, para complicar ainda mais, moram a 1.712 km de distância. Cássio é gaúcho e gremista, Luciane é mineira e cruzeirense.

Os dois se conheceram através de uma comunidade de futebol brasileiro no Orkut. Em 2007, houve um encontro nacional dos “amigos virtuais”, para que pudessem se conhecer pessoalmente. Foi em Porto Alegre que Cássio abordou Luciane e começaram a se relacionar.

“Já são 1 ano e 10 meses de namoro. O futebol, além de ter nos unido, faz parte do nosso relacionamento até hoje. Toda vez que vou a Belo Horizonte, vamos ao Mineirão juntos assistir aos jogos do Cruzeiro. Até visto camisa do clube, para agradá-la”, diverte-se o gremista.

Luciane conta que a recepção do namorado no Sul é igual. “Sempre vou ao Olímpico com ele, ver os jogos do Grêmio. Ele até me deu uma camisa do clube, que eu uso sempre que vou visitá-lo”.

A cruzeirense conta que, para o namoro durar tanto tempo, é necessário esportiva de ambos os lados. “Nós dois somos muito fanáticos. A gente abre mão de certas coisas, para o relacionamento dar certo. Apesar disso, eu já tentei comprar uma camisa do Cruzeiro para ele, mas ele não aceita de jeito nenhum. Ele até veste a camisa e vai ao Mineirão comigo, mas não aceita o presente”, diz Luciane.

Cássio, por sua vez, tem suas explicações. “São duas paixões diferentes. A Luciane e o Grêmio. Não posso decepcionar a Lu, mas também não posso trair meu Tricolor”.

Gol contra

O futebol nem sempre é o cupido dos relacionamentos amorosos. Há casos também em que o esporte preferido dos brasileiros é o vilão do relacionamento. Aconteceu com os estudantes Mike Costa e Geise Pereira. Ele, atleticano; ela, cruzeirense.

O fanatismo dos dois fez com que nenhum deles abrisse mão da paixão pelo clube, em prol do relacionamento. “Sempre brigávamos por causa de futebol. Resolvemos terminar por causa disso. Hoje, temos uma relação legal de amizade, mas ainda assim não podemos tocar no assunto futebol, que brigamos sempre. A amizade continua, mas o assunto futebol é proibido”, conta o ex-casal.

O namoro durou apenas dois meses.